top of page

O lúdico e o simbólico, na música inclusiva


Para se falar de processo inclusivo por meio da música é preciso entender os elementos lúdicos e simbólicos desta linguagem.

Neste sentido, a música é um terreno fértil de simbolismo e ludicidade, pois em relação a sua experiência inventiva é quase totalmente lúdica e simbolista.

No entanto, é preciso que todo educador musical que trabalha em um processo inclusivo conheça estas características da música.

Além destes fatores, é muito importante conhecer estratégias para trabalhar este simbolismo e ter metas e conhecimentos em relação a classes heterogêneas do ensino regular.

Música como linguagem simbólica

A música traz em seu processo educacional e de linguagem um amplo simbolismo, pois ela nos proporciona o trabalho comunicativo não somente por meio da palavra, mas por gestos, sons, melodias, ritmos, marcações gráficas e outros códigos. Neste caso, a música, como contributiva no processo de inclusão, trabalha com duas dimensões do psiquismo humano, o imaginário e o simbólico.

Quando se atribui um lugar social para o aluno dentro de um fazer musical, e aposta-se na sua capacidade, investindo em seu potencial, mesmo que ainda não exista uma resposta satisfatória deste aluno, trabalha-se na dimensão imaginária. Quando se tem como meta a produção musical e a socialização, institui-se regras de convivência e outras que partem do entendimento musical e sonoro de sua produção. Neste caso, pode-se dizer que se está operando na esfera do simbólico, pois essas são regras culturais e pertencem ao código social.

Heterogeneidade e arte

No seu significado, a heterogeneidade é uma qualidade do que é heterogêneo. Do que é composto de coisas, elementos ou partes de natureza diferente. Também algo que não possui uniformidade, que é composto por partes distintas, tem como sinônimos a diversidade, diferença, hibridez.

Atualmente os campos, prático e teórico, da educação passam por demandas que incluem a diversidade e a hibridez. A diversidade está colocada hoje na ética das relações sociais, a pessoa que não enxerga, não acolhe e não tolera esta diversidade está eticamente desconectada de todo ato social e principalmente da ação pedagógica.

A hibridez já corresponde ao aspecto da organização de uma proposta didática, eu posso propor uma temática em que os alunos irão trabalhar toda a parte de conteúdo na internet e posteriormente organizar debates para depurar toda a informação.

Heterogeneidade na sala de aula

Toda proposta que se faz com objetivo de construir conhecimentos e despertar curiosidades conjuntamente com os alunos, precisa ser sustentada por uma disposição de trabalhar com a Heterogeneidade.

As atividades ligadas às linguagens expressivas como teatro, artes visuais e músicas, trabalhadas na escola, mesmo se em âmbito extracurricular, podem trazer grandes benefícios ao portador de Transtorno do Espectro Autista. Dentro da escola podem ser desenvolvidos, projetos extracurriculares e coletivos abrangendo várias linguagens artísticas, isto fará com que os alunos que tenham dificuldades físicas e cognitivas mais acentuadas, possam se incluir com suas singularidades. As propostas que enfatizam a invenção e a expressão são mais inclusivas por não exigir um desenvolvimento linear do aprendizado.

A falta de capacidade para adequar-se à sociedade e encontrar meios individuais de auto expressão é um dos sintomas principais das perturbações mentais.

O valor da música neste caso é prover uma válvula emocional dentro do grupo. Segundo Juliette Alvin, musicista e pioneira em musicoterapia, a música é a mais social de todas as artes; ela sempre foi uma experiência compartilhada, em todos os tempos, lugares e grupos sociais. No novo modelo de inclusão, as propostas de oficinas musicais são

Projetos Didáticos

O projeto didático valoriza a forma de trabalho educacional sobre um determinado tema e a sua conexão com várias áreas do conhecimento.

A música como linguagem artística e do conhecimento traz uma flexibilidade de articulação, que proporciona ao educador formalizar um projeto didático com sua turma, que dialoga com várias disciplinas e responde a várias demandas.

Em uma sala de aula que possui crianças, que diante de uma proposta educativa, reagem cognitivamente e emocionalmente de forma diferenciada, o professor precisa propor uma atividade que compense as diferenças de apreensão do conteúdo. Isto porque, em uma sala inclusiva, pode haver crianças com singularidades, particularidades e com identificações variadas.

Função Integradora da Música

A proposta de uma atividade musical em uma sala de aula, que traz crianças em processo de inclusão faz o ato educativo ser cultural e integrador.

A música é vista por profissionais que trabalham na psicologia e psicanálise, como atividade organizadora e integradora principalmente porque é trabalhada como linguagem, que é o principal atributo integrador de nossa sociedade.

O conteúdo musical é um conhecimento vivencial que passa pelo corpo e pela sensibilidade. Agindo e interagindo com o outro e com o meio, a criança estabelecerá conceitos, utilizando a música em seu aspecto simbólico.

A atividade de musicalização proporciona à criança, a oportunidade de se relacionar e se integrar com o mundo pela escuta, pelo movimento corporal e pela voz. O que permite o uso intenso do corpo, coordenação de movimentos e a escuta do outro.



O professor pode prescindir da música para solucionar os múltiplos problemas que atravessam o cotidiano escolar, utilizando esta linguagem em sua forma perceptiva e expressiva.

A música oferece um caminho de ideias e expressividades que atuarão na concretização dos objetivos didáticos, equalizando as diferentes demandas, que estão presentes no novo paradigma inclusivo de educação.


223 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

コメント


bottom of page